Fonte: http://i.imgur.com/cU7OGqj.jpg

Keeping it real

A primeira edição do Big Brother, produto da TV Holandesa, foi exibida em de 1999. À época, você tinha uma internet discada e não havia o Facebook  ou o  Youtube para sorver seus minutos. Smartphones e tablets eram projetos cuja viabilidade considerada duvidosa. A grande digitalização do nosso cotidiano ainda estava por vir, mas aquele programa voyeur já deixava claro: está aqui a realidade, aqui estão as pessoas que têm as experiências reais… como vocês podem ver neste exato momento.

E se os programadores de software e os empreendedores da economia digital foram ganhando poder, era a fisicalidade que concentrava status: não apenas esportistas, mas lutadores do UFC ou esportistas radicais. Não apenas fotos na revistas de fofocas, mas sextapes vazados na rede. Atenção era merecida a quem provava a sua materialidade.

Fonte: http://www.skydivingsavannah.com/images/695x303/skydiving-savannah-videos.jpg
[Sempre achei curiosos os vídeos de skydiving: quem está filmando passa pelos mesmos riscos e deve ter até mais precisão do que o suposto protagonista]

A ansiedade para se mostrar real não se manteve na esfera das celebridades. Saber tirar fotos de si mesmo se tornou a mais recente habilidade massificada, um estranho resultado para milênios de evolução darwiniana. Isso nos leva a situações curiosas, como a destituição do deputado americano Aaron Schock: acusado de uso irregular de dinheiro público para jatos privados, ingressos de shows, etc.; forneceu documentação sistemática de sua conduta por fotos que postava no Instagram.

Schock usou estritamente a razão do seu tempo. Algo só aconteceu se é exposto, apenas é real se digitalizado e retirado de onde e quando aconteceu – em direção a uma nuvem onipresente. Estima-se que apenas um centro de dados do Facebook – há tempos essa rede é o maior repositório de fotos no mundo – possui mais informação estocada que a Biblioteca do Congresso Americano. Nuvens de dados que são o nosso paraíso, onde estamos sempre a passeio, a família está sorrindo sem parar e somos vistos invariavelmente pelo nosso melhor ângulo. Onde, que benção, poderemos ser reais.

Fonte: http://www.wired.com/2012/04/facebook-data-center-2/
Centro de dados do Facebook em construção na Carolina do Norte: mostrar-se verdadeiro tem custos e gasta uma quantidade razoável de energia.

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