Vamos tomar o exemplo da FLIP. Com a cobertura online dos jornais e de blogs independentes ficou muito fácil reportar o que não se viu. Dê uma lida rápida no material e faça textos com as seguintes instruções:
1 – Discorde de uma unanimidade
A platéia se encantou com o tal Lobo Antunes, mas esse escritor franco-ameríndio não me seduziu. Vocês me conhecem, não me deixo levar por consensos. Por trás de frases de efeito como “muitas vezes aquilo que os críticos chamam de qualidade são defeitos disfarçados” ou “viver é melhor que sonhar”, senti um vazio, algo deslocado. Não foi dessa vez, Lobo.
2 – Concorde fortemente com uma unanimidade
E o Chico Buarque, hein? Sem palavras, o cara é demais, todo mundo sabe. Igualmente aos outros fãs, eu só achei ruim que ele tenha se baseado demais no álbum lançado este ano, Leite Derramado, e ignorado canções clássicas de Meus Caros Amigos (1976) e Circuladô (1968). Mas tudo bem, Chico é Chico.
3 – Dê detalhes pessoais ao estilo jornalismo gonzo
A sala da imprensa está entupida, um colega aqui quase derruba o copo em cima de mim. A noite anterior foi bem animada, digo a vocês. Conheci uma morena. Sua beleza era mediana, mas com uma caninha que só acho em Parati, ela foi ficando excepcional. Além do mais, quanto mais ela bebia comigo, mas eu ficava parecido com o Chico Buarque. Quando peguei emprestado um violão, impossível de afinar, e cantei o Samba do Leite Derramado, ela não resistiu.
4 – Invente um furo de reportagem
Estava saindo tarde da pousada da morena, ruas vazias, eis que topo com Richard Dawkins. Ele achou que eu era um assaltante, exclamou “God, help me, please”. Ao perceber o erro, ele me foi explicando como o pavor é uma emoção primária na evolução dos mamíferos.
5 – Faça um fechamento genérico
Literatura não pode ser confundida com marketing. A verdadeira literatura não se põe em sacolas com se estivéssemos num shopping. Mas é ótimo ver os escritores saírem de suas torres de marfim. A literatura pertence às pessoas, que bebem cana sim, que depois se arrependem de um caso de uma noite só, como aquela morena me disse ter ficado arrependida. Viva a FLIP! Valeu pela audiência, volto ano que vem. Fui.
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Muito bom! Um manual de “Como se fazer um crítico de literatura na era da golbalização em cinco lições”. hahahaahahaha. A – do – rei !
“album Leite Derramado” – Adorei a tua criatividade ao fazer esta crítica, muito bom!
“Hoje entendendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o póprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos, e não simpelemente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem — Costeau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: “Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver”. Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso ir tocá-lo.” Trecho do livro Mar Sem Fim do velejador Amyr Klink.
Uma frase de alguém que leva Parati no coração e que, acredito, tem a ver com o tempo…
Um abraço
Dessa vez não consegui ficar quieto. Acompanho seu blog faz uns meses e gosto muito da maneira como vc alia conhecimento, humor e crítica.
Por enquanto é isso – ah (espero que fique contente com esta informação), sou seu fã…rs
Abraço.
Veronica, Marcela, Felipe,
Obrigado pelos comentários.
Esqueci sobre o Klink e seu livro “Parati – entre dois polos”. Dá próxima vez, tentarei usar algo como “tenho que ir, o Amyr Klink ficou de me dar uma carona”. Abs
http://www.apostos.com/wagnerebeethoven/flip1.jpg
Foda!
Não por nada, mas também sou fã do blog, do polli e do lobo antunes – do chico, não, ao menos do chico prosador; do letrista e cantor, até gosto… he he he
abraços e, como sempre, parabéns pelo blog!
Porra, MP, esse teu blog é FODA. Tu deveria atualizar mais vezes.
Obrigado, Antônio,
Nas férias, eu devo conseguir postar alguma coisa. Tempo escasso… disseram-me que pela literatura se pode transcender o tempo.. até agora não consegui fazer a manobra.
Até.