Imagem de Desconstruindo Harry, de Woody Allen
Não sei quantas vezes eu paguei caro pelo ingresso em um multiplex para ter à minha frente uma qualidade de imagem temível: pálida e fora de foco. Em uma dessas ocasiões, eu fui reclamar com o funcionário que estava perto da saída –- ele olhou para tela e disse que não estava havendo problema. Eu fiquei sem ação, pois se aquela projeção lhe parecia aceitável, eu não poderia continuar a conversa, estávamos em mundos diferentes, ou com problemas de visão.
Mês passado, eu topei com um texto na Slate que me ajudou a entender a pouca vergonha:
“Não é raro que os donos de cinema atrasem a troca das lâmpadas de projeção, mesmo que elas não estejam rendendo o nível especificado de brilho na tela. (…) As salas multiplex usam apenas um projecionista para cuidar de oitos filmes, uma economia de escala que poupa sete salários. Mas se esses projecionistas são capazes de trocar os rolos de um filme enquanto os outros estão sem guarda, essa prática abre o risco de que os outros filmes possam engasgar momentaneamente no projetor e sejam queimados pela lâmpada. Para evitar esses acidentes custosos, os projecionistas alargam um pouco o espaço entre a lâmpada e abertura por onde passa o filme, mesmo que isso deixe a imagem levemente fora de foco.”
Edward Jay Epstein, The Popcorn Palace Economy – The Thirsty Moviegoer Fuels The Business


