17 Junho, 2008...7:34 pm

Princípio da Incerteza

Ir aos comentários

William Pearson, Planetary Machine

À sua imagem e semelhança. Poderíamos ser oniscientes, mas tal conceito de semelhança foi curiosamente restrito. O mundo seria bem silencioso em outro caso, saberíamos sempre o que a outra pessoa está sentindo e ela, que não pode esconder nada. Não haveria espaço para discussões sobre o que aconteceu e sobre o que poderá acontecer, seriam de conhecimento comum. Mas não somos assim e temos que lidar com intermináveis discussões, experimentos e hipóteses. Profissionais e charlatões dizem saber sobre o nosso corpo e mente, mas reunindo o que dizem nunca obtemos uma figura minimamente acabada. É um grande esforço para nos aproximarmos de algo que poderíamos ter desde a gênese. Asseguramos ao menos o prazer do segredo, das conspirações em voz baixa, das surpresas e das sombras amplas.

Alguns conseguem, às vezes, elaborar uma compreensão profunda: filósofos gregos matemáticos árabes, empiristas ingleses, físicos judeus. Mas esse avanço é anulado; um tempo depois tais idéias se provam frágeis, ou incompletas fundamentalmente. Eles não erraram – o mundo se torna mais complexo e estranho assim que se chega perto de compreendê-lo. Somos condenados a continuar procurando. Você acorda de madrugada casualmente, mata a sede sem pressa no centro da cozinha silenciosa, um pensamento preciso e claro vem a você, que agora sabe exatamente o que fazer no dia seguinte. Mas, já de manhã, aquela idéia simples mas forte se revela tola, espantosamente infantil. Na realidade, você soube de tudo o que era necessário por alguns instantes, a sua idéia tinha um valor em si, mas o mundo não mais a suporta agora.

2 Comentários

  • Olá Marco Polli,

    Só uma curiosidade… Quando você termina de escrever alguma coisa, você fica indeciso??? Questiona sua idéia inicial???
    Nada é mais poderoso que a firmeza de uma intenção. Mas aí… cadê a firmeza?
    Gostei da narrativa.
    Abraço.

  • Oi, Claudia, obrigado.
    Não sei se entendi bem o que você escreveu, mas se relaciona bem com isso: a força aparente das idéias iniciais e, logo após, as incontáveis revisões e dúvidas que surgem. Sempre estou questionando tudo e é difícil saber onde parar. Abraços.


Deixe uma resposta