14 Abril, 2008...12:35 am

Made in Myself

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Do romance Herzog (1964), de Saul Bellow:

“Deitado no sofá da quitinete que havia alugado na 17th St., ele imaginava por vezes que era uma fábrica produtora de história pessoal, e viu a si mesmo do nascimento à morte. Ele admitiu em um pedaço de papel,
‘Não consigo justificar’.”

Fazer discursos sobre si, descrever e revisar a história pessoal são atividades humanas básicas. Porém, a nossa época transformou essas ações em uma mania obscena. Seja em blogs, nas sessões de terapia em grupo, nos sofás dos programas de auditório, em frente às câmeras dos reality shows, e, infelizmente, nas conversas de bar, o fato é que a história e a análise sobre si passaram da esfera do artesanato para a produção de massa.

Desse grande zumbido narcisista, o problema maior é a falta da qualidade do discurso, enfim, a pobreza que exibem as palavras, as relações de causa e efeito, as justificativas, conclusões e lemas. Viramos maquiladoras, com produtos pouco inteligentes e que não agüentam duas vezes o uso. E aqui podemos lembrar da literatura: a ficção não precisa ter uma utilidade determinada, mas como efeito correlato, ela facilita a desconfiança sobre discursos e histórias simplistas. Probabilidades — ler boas narrativas cria mais chances de que um discurso pessoal não seja parecido com um livro de auto-ajuda ou com o pior artigo da revista feminina. E, ainda melhor, livros nos fazem permanecer em um belo silêncio.

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