
Helicópteros fixos, colados no céu. Balas descansam no cartucho e na agulha. Um roubo de quadros foi cancelado hoje, porque hoje é feriado.
Por isso, os odores hoje não cheiram. Nenhuma fotossíntese no Ibirapuera. Aqueles que correm não gastam as solas dos tênis. Nenhum coração se dá ao trabalho de parar no feriado.
O café que cai nas gravatas não mancha. Canetas não funcionam e não rubricam os contratos. Os mercados oscilam bastante, mas ninguém vai falir ou enriquecer hoje em São Paulo.
E ninguém conta piadas sobre times. E ninguém chega àquela grande idéia. Os pratos anotados estão sendo todos servidos, mas pessoa nenhuma se sacia. Beijos inesquecíveis são negados no feriado.
A capital se anula fragmento por fragmento – não existe. Não há o que sentir hoje sobre São Paulo. Ou melhor, há apenas uma sensação leve, vaga de metrópole. Sutil apenas hoje, claro, no dia do feriado.



4 Comentários
26 Janeiro, 2008 às 6:35 pm
Você tem razão…São Paulo fica assim.Ainda mais quando,ao chegar na janela,olhei para a rua e vi o que vi.Aliás,quase não vi nada,é difícil acreditar…
Adoro crônicas.
PS: parabéns pelo post anterior,aproveitei muito.Foi uma sacada ótima!!!
Abraço.
26 Janeiro, 2008 às 9:28 pm
Obrigado, Cláudia. Acho que o fato de eu não estar em Sampa ajudou na criação.
29 Janeiro, 2008 às 2:26 pm
que bonito esse, marco.
esse meu dia carioca que chove sem parar ficou com um quê de são paulo.
e um quê de feriado.
abraço.
30 Janeiro, 2008 às 1:15 pm
Obrigado, Janaína.
Acabei de pensar que só numa crônica de realismo fantástico, as balas permanecem descansando no cartucho, seja no Rio ou SP.
Abraços.