

A adaptação cinematográfica de Kubrick foi tão fiel ao tom do Breve Romance de Sonho, de Schnitzler, que é fácil esquecer algumas diferenças importantes. Uma delas é que a história no livro passa-se no fim do Carnaval e no filme, durante a temporada natalina. Essa mudança permitiu que o diretor usasse as luzes de Natal para ajudar a construir a ambiguidade entre realidade e sonho. Se em Barry Lyndon, Kubrick adaptou as câmeras para captarem o máximo da iluminação das velas, em De Olhos Bem Fechados várias técnicas foram usadas, inclusive a manipulação na velocidade do negativo.


Escolher esse período para uma história com tensão sexual e que beira o expressionismo/surrealismo pode parecer estranha para alguns Mas, pensando bem, o natal está muito longe da austeridade simbolizada pelos presépios. Comida e bebida em exagero, luzes cintilantes, consumismo vertiginoso, viagens e desligamento do trabalho. Enfim, a mente pode ficar bastante suscetível nesta época.
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PS. Uma curiosidade que vi neste site: o tigre de pelúcia que aparece no quarto da gentilíssima moça encontrada pelo doutor na rua também é vendido na loja de brinquedos na última cena do filme:







1 Comentário
29 Dezembro, 2007 às 9:17 pm
Acabo de eleger o melhor livro que li em 2007. Passa lá no LIBRU LUMEN e deixa um comentário dizendo o teu. Dica: Só pode ser um.
1 abraço e feliz 2008.
PS: Apesar de ter lido o livro e visto o filme não percebi estas sutilezas. Legal.