23 Dezembro, 2007...6:14 pm

Uma história natalina

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A adaptação cinematográfica de Kubrick foi tão fiel ao tom do Breve Romance de Sonho, de Schnitzler, que é fácil esquecer algumas diferenças importantes. Uma delas é que a história no livro passa-se no fim do Carnaval e no filme, durante a temporada natalina. Essa mudança permitiu que o diretor usasse as luzes de Natal para ajudar a construir a ambiguidade entre realidade e sonho. Se em Barry Lyndon, Kubrick adaptou as câmeras para captarem o máximo da iluminação das velas, em De Olhos Bem Fechados várias técnicas foram usadas, inclusive a manipulação na velocidade do negativo.

Escolher esse período para uma história com tensão sexual e que beira o expressionismo/surrealismo pode parecer estranha para alguns Mas, pensando bem, o natal está muito longe da austeridade simbolizada pelos presépios. Comida e bebida em exagero, luzes cintilantes, consumismo vertiginoso, viagens e desligamento do trabalho. Enfim, a mente pode ficar bastante suscetível nesta época.

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PS. Uma curiosidade que vi neste site: o tigre de pelúcia que aparece no quarto da gentilíssima moça encontrada pelo doutor na rua também é vendido na loja de brinquedos na última cena do filme:

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