30 Setembro, 2007...10:21 pm

Autores seriais, uma conversa com Olivia Maia

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Autores como Dickens, Balzac e Machado de Assis publicaram obras em folhetim. A própria constatação de que os leitores estavam dispostos a acompanhar um romance em série é um indicativo da importância da literatura no séc. XIX. O formato de seriados passou para outros veículos – primeiramente para o cinema, depois para a TV –  porém hoje a internet veio a estimular mais uma vez a publicação periódica de literatura.

Olivia Maia lançou seu primeiro romance, Desumano, pela Editora Brasiliense no ano passado. Mais recentemente, a escritora ficou também conhecida por discutir e levantar a bandeira da literatura independente das editoras. Em julho, ela começou a publicar um romance policial, A Ultima Peça, por capítulos, usando uma seção do seu blog. Fiz essa entrevista com Olivia por correio eletrônico e procurei abordar menos o tema sobre literatura e internet especificamente e mais sobre literatura sem editores.

1 – Em relação a seu livro de estréia, Desumano, o seu texto recebeu um tratamento editorial cuidadoso, no sentido de sugestões e discussões para aprimorá-lo?
Não sei se foi muito cuidadoso não. Ou acharam que meu texto já era bom o suficiente. Vai saber. Eles me mandaram uma cópia para que eu revisasse, depois que ele havia passado pelas mãos do revisor. Só percebi mudança mesmo em um trecho que achei esquisitíssimo e fui conferir, e me dei conta que a minha versão era diferente. Aí rabisquei que preferia a minha.

2 – Você e outros blogueiros vêm levantando a discussão sobre uma literatura independente de editoras. Mas você também acredita em uma literatura independente de editores?
Depende do que você chama de editor. Acho que todo escritor precisa ter uma segunda voz, que pode ser um amigo ou um colega ou um professor. Sem isso, os leitores farão esse papel inevitavelmente, e talvez o resultado não seja lá tão agradável. Eu não tenho uma experiência de editor que de fato dá algum palpite na obra. Isso nem sabia que ainda existia.

3 – Como está sendo a sua experiência com A Última Peça. Os comentários dos leitores vêm se mostrado interessantes? Você tem idéia da proporção dos que só lêem e dos que também comentam?
Bom, bom. É sempre bom saber que se é lida, e saber o que pensam disso. Os comentários, quando acontecem, são bem interessantes. Nem todos têm pique para comentar, e isso é mesmo uma pena. Já mudei trechos e estruturas nesses primeiros capítulos por causa de comentários, e pretendo continuar mudando quando achar que devo. Não posso saber quantos de fato lêem, mas o blog tem cerca de 50 assinantes pelo feed (e mais uns 10 que assinam pelo e-mail). Poucos comentam. Nos primeiros capítulos tive muitos comentários, mas o último, por exemplo, teve dois. Espero que a progressão não se mantenha.

4 – Você não teme entrar em um dilema de autoria: se algum comentário vier com uma idéia importante, você se sentiria à vontade para incorporá-la?
Já fiz isso, na verdade, mas por baixo do pano. Quero dizer, conversando sobre a trama com um amigo, ele deu uma idéia que eu não tinha pensado. E resolvi que usaria. Tenho as linhas gerais do que vai acontecer e sei mais ou menos como a história termina, mas não vejo motivos para negar uma idéia interessante que ainda possa ser incorporada.

5 – Você planeja publicar posteriormente A Última Peça como um livro convencional, em papel?
Ainda não sei. Provavelmente não. Porque não faria sentido, quero dizer. Pretendo, sim, montar um PDF e disponibilizar para quem quiser. Afinal, vai ter sido um livro online desde o começo, parece justo que continue sendo. E também não deixa de ser uma porta de entrada para os leitores conhecerem o que escrevo.

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