Você lava e limpa, mas a poeira volta rápido com 15% de umidade. Nem é escandalosa a poeira no quintal, esse é um lugar até mais humano quando não está completamente limpo. Impressiona a poeira que retorna ao teclado do computador — sobre e entre as letras –, que volta por cima das caixas de som, nas reentrâncias da mesa, no suporte do monitor, o pó que está se juntando certamente na CPU. Esses fragmentos de tempos primordiais vêm pousar sobre as capas de dicionários de língua estrangeira, não poupam o volume I das obras de Borges, nem o recém-adquirido Jerusalém de Gonçalo Tavares. Na estante, a poeira vem marcar outra vez as capas de CDs, sejam eles do Massive Attack, Mozart, Cartola ou Miles Davis. Ícones da civilização e do consumo são caçados sem piedade, como se a poeira quisesse enterrar, engolir tudo de volta, ou ao menos desafiar a importância do que encobre. Com 15% de umidade, o pó vem lembrar de algo mais fundamental, mas já não consigo delinear o que seja — continuo apenas torcendo pela próxima chuva.
14 Setembro, 2007...1:15 pm
Com 15%
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3 Comentários
14 Setembro, 2007 às 5:43 pm
Somos dois, meu caro, somos dois esperando pela chuva…
14 Setembro, 2007 às 6:17 pm
Somos três…eu também estou ansiosa por ela…
23 Setembro, 2007 às 7:20 pm
Voce escreveu sobre algo em que penso muito,a poeira que se deposita em tudo e você ainda juntou com o clima.M.B