Com Meridiano Sangrento (1985) e Todos os Belos Cavalos (1992), Cormac Mccarthy conseguiu o reconhecimento da crítica como um dos maiores escritores contemporâneos dos EUA. Mais recentemente, o autor vem sendo abraçado por Hollywood e pela TV americana. Uma versão cinematográfia de Todos os Belos Cavalos saiu em 2000, a de Onde os Velhos Não Tem Vez será apresentada neste dia 19 em Cannes, sendo que a adaptação de Meridiano Sangrento está planejada para 2009 (IMDB). E, claro, o seu útimo romance, The Road, foi incluído no clube de leitura da apresentadora Ophra.
Em uma comunidade do Orkut, fiquei sabendo desse audiobook com toda a ‘trilogia da fonteira´ sendo narrada por Brad Pitt (recorte da Amazon acima). No Brasil, já tivemos a Bíblia por Cid Moreira e CD com Miguel Falabella recitanto poemas. Vamos imaginar os livros de áudio começando a virar moda por aqui (trechos como os originais):
A Hora da Estrela, por Clarice Lispector e Ana Maria Braga
“Não havia como fugir. Os dias que ela forjara haviam-se rompido na crosta e a água escapava. Estava diante da ostra. E não havia como não olhá-la. De que tinha vergonha? É que já não era mais piedade, não era só piedade: seu coração se enchera com a pior vontade de viver.”
Grande Sertão: Veredas, por Guimarães Rosa e Lima Duarte (como Sassá Mutema)
“O senhor nonada conhece de mim; sabe o muito ou o pouco? O Urucuia é ázigo… Vida vencida de um, caminhos todos para trás, é história que instrui vida do senhor algum? O senhor enche uma caderneta… O senhor vê aonde é o sertão? Beira dele, meio dele?… Tudo sai é mesmo de escuros buracos, tirante o que vem do Céu. Eu sei.”
Um Copo de Cólera, por Raduan Nassar e Tony Ramos
“(…) já foi o tempo em que via a convivência como viável, só exigindo deste bem comum, piedosamente, o meu quinhão, já foi o tempo em que consentia num contrato, deixando muitas coisas de fora sem ceder contudo no que me era vital (…)”
A Moreninha, por Joaquim Manuel de Macedo e Juliana Paes
“No dia seguinte, ao amanhecer, a amorosa menina despertou, e buscando o toucador, há uma semana esquecido, dividiu seus cabelos nas duas costumadas belas tranças, que tanto gostava de fazer ondear pelas espáduas, vestiu o estimado vestido branco e correu para o rochedo.”
Memórias Póstumas de Brás Cubas, por Machado de Assis e Repórter Vesgo
“Por que bonita, se coxa ? por que coxa, se bonita?”



3 Comentários
18 Maio, 2007 às 12:01 am
Show de bola, Polli. Sua mediúnicas sempre são ótimas! :)
19 Maio, 2007 às 5:06 pm
Obrigado, A(C?)M,
Depois pensei em mais algumas:
Memórias de um Sargento de Milícias, com Sérgio Malandro
O Doce Veneno do Escorpião, com Fernanda Montenegro.
22 Maio, 2007 às 12:11 pm
hahahahahaa. Perfeito.