26 Abril, 2007...10:17 pm

O tempo da narrativa

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Marilyn Monroe Reading Ulysses
Marilyn Monroe lendo Ulisses, foto por Eva Arnold (link)

Trecho de uma videoentrevista do autor José Luís Peixoto:

“…dar a alguém um romance para ler é no fundo estar a dizer a essa pessoa: ‘aqui estão essas páginas e acho que seria positivo que passasse horas da sua vida a lê-las’. Ora, isso é muito ousado, e só se pode fazer isso quando se dá a essa pessoa alguma coisa que consideramos realmente importante.”

(para ver a entrevista toda, vá ao Portal Literal. No menu esquerdo clique em TV Literal, mais abaixo na página você terá “vídeos anteriores” com a opção para o do JL Peixoto.)

9 Comentários

  • Confesso, envergonhado, que já presentei pessoas com livros que eu não leria. Hoje, concordo com o J. L. Peixoto: sugerir para alguém perder seu tempo é algo sério, tem que valer a pena.

  • O José Luís Peixoto está entre as melhores vozes da literatura portuguesa atual. É uma pena que o romance “Nenhum olhar”, publicado aqui no Brasil pela Agir, não tenha alcançado a repercussão que merece.

  • Poxa, Greg, estou tentando lembrar dos livros que você já me indicou…rs.

    Achei interessante a perspectiva dele, vinda de um autor, muitos deles acham que é óbvio que todo mundo deva lê-los.

  • Oi, Rodrigo.

    Quando eu li “Nenhum Olhar’ recentemente, eu pensei que era uma obra que muitos no Brasil estavam esperando: linguagem bem cuidada, universo fora do ambiente ‘urbano-obsessivo’ do qual vários leitores estão enjoados. Porém, não houve mesmo uma grande festa para o livro, embora JLP tenha ganhado seus leitores aqui.

    Não sei se você sabe, mas o JLP anunciou que já fechou acordo para a publicação de dois outros livros. Veja os comentários deste post:

    http://marcopolli.wordpress.com/2007/04/14/linguagem-e-destino/

  • Polli, fique tranquilo, recomendar eu recomendo a sério. Presentear é outra coisa…. mas é aquele dilema: não é para todo mundo que você pode comprar um “Ninguém nada nunca”, do Saer, por exemplo… Dar livro de presente é muito complicado.

    E recomendar também, se você não tiver certeza dos gostos do amigo, ou se, principalmente, ele lê pouco. Daí, um romance curto pode custar muito tempo de leitura…

    Eu acho que o José Luis Peixoto não foi muito lido por aqui. Para mim, é evidente que o livro é muito bom. Acho que o excesso de publicações (o que é bom, imagino) às vezes prejudica bons autores como esse.

  • E se pensarmos que a maioria dos brasileiros que dão livros de presente se baseia na lista dos 10 mais vendidos da Veja, aí a ousadia de que fala o Peixoto se torna quase uma ofensa.

  • Essa foi boa, Ronald. Pode-se imaginar uma narrativa assim: um aniversariante não aceitando um livro de presente por se sentir ofendido.

  • Obrigado pela ótima notícia, Marco. Quem sabe, aproveitando a decisão da Record, alguma editora decide publicar aqui o “Morreste-me”, do JPL, que recebeu dois prêmios em Portugal e é uma espécie de “Carta ao pai” às avessas. Um texto curto, mas vertiginoso e impactante. A melhor porta de entrada ao universo do JPL, em minha opinião. Grande abraço!

  • Sou fã deste título Morreste-me.


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