6 Fevereiro, 2007...11:41 pm

A Última Sessão de Cinema

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Cartaz de O Dia que o Mundo Acabou (1956)

O cinema é o palco em que vemos a humanidade ser ameaçada de extinção vez após outra. Em Armageddon (1998) dependíamos que Bruce Willis e Ben Affleck nos salvassem de um asteróide a caminho da Terra. Deu certo, tamanha é a magia do cinema. Uma lista de “filmes do dia final” pode ser encontrada na Wikipedia. A compilação não pretende ser exaustiva e deixa de fora diversas produções, especialmente as B, como a do cartaz acima. Pessoalmente senti falta de Luz de Inverno, de Ingmar Bergman (1963), mas essa lista já é uma boa amostra de como o cinema põe a sociedade em contato com seus sucessivos temores globais. Ameaças sérias também podem ser um entretenimento de sábado à noite (ou de uma quarta-feira com meia-entrada).

O filme mais antigo da lista, Daqui a Cem anos (Things to Come, 1936) não podia deixar de se basear em uma obra de H.G. Wells. Antes mesmo da Segunda Guerra Mundial arrasar algumas cidades usando aviões e mísseis, Wells imaginou um conflito que devastaria a civilização através de bombardeios aéreos. Em parte, trata-se de uma ficção-científica ao inverso, já que os sobreviventes têm que aprender a viver com tecnologias antigas. O filme já caiu em domínio público nos EUA e, coisas da Internet, pode ser baixado legalmente no Archive.org ou visto no VideoGoogle.

As ameaças à humanidade floresceram. Os extraterrestres vinham com freqüência acabar com a nossa raça; é claro que devia haver um filme que se chamasse simplesmente Killers from Space (Mundos que se Chocam, 1954). Em Vampiros de Almas (lnvasion of The Body Snatchers, 1956), alienígenas passam a substituir a humanidade copiando e matando indivíduo por indivíduo. Um planeta inteiro, não apenas um asteróide, está para colidir com a Terra em O Fim do Mundo (When the Worlds Collide, 1951) e uma loteria mundial decide quem será salvo pelo lançamento de uma espaçonave.

Competindo em proficuidade com as ameaças vindas do espaço, o risco nuclear foi matéria-prima cinematográfica por décadas. Em O Mundo em Chamas (The Day the Earth Caught Fire, 1968) testes nucleares dos EUA e da URSS deslocam a Terra de sua órbita. Nosso planeta move-se em direção ao sol e as reservas de água passam a secar. A única esperança são explosões nucleares calculadas para levar a Terra de volta a seu rumo… Já O Dia SeguinteThe Day After, filme americano para TV que entrou no circuito de cinema nos outros países – causou pesadelos literais nos pobres habitantes dos anos 80. O pior não era morrer, mas sobreviver a um ataque nuclear. Guerras biológicas aparecem em produções já do início dos anos setenta como A Última Esperança sobre a Terra (Omega Man) e O Exército do Extermínio (Crazies). O aquecimento global foi carimbado por Hollywood em O Dia Depois de Amanhã (2004).

Não se pode dizer que dentro desse subgênero estejam os exemplares mais bem acabados da sétima arte. Gilliam foi bem acima da média com Os Doze Macacos (1995), Kubrick foi inusitado e irônico em Dr. Fantástico (1964), mas, em geral, os filmes sobre o fim do mundo parecem estar entre os mais datados, os que exibem as atuações mais esquemáticas e contam com os roteiros mais insatisfatórios. Mesmo assim, acredito que eles tenham a sua função. Por exemplo, bem antes dos noticiários de TV se beneficiarem das transmissões via satélite, o cinema ajudou a se pensar em termos globais e sincrônicos, ou seja, a visualização das conseqüências simultâneas de um evento em todo o mundo. Particularmente, eu sinto falta quando um tema importante não é tratado ao menos por algum filme, mesmo que ele não seja uma obra-prima. Vamos admitir que uma das coisas irritantes sobre o fim do mundo é que não haverá mais cinema.

clique para mais cartazes sobre o tema

[desses filmes citados, organizei os cartazes separadamente]

2 Comentários

  • Ótima seleção, Polli, de filmes e de cartazes.

    Preciso retormar o assunto dos cartazes lá no meu blog. Quanto aos filmes, acho Daqui a cem anos e Vampiro de almas dois clássicos do cinema de fantasia. Tem algo de infantil em assistir ao fim do mundo, como quando se constrói um império de brinquedo só para destruí-lo no final da brincadeira. O bom cinema de entretenimento não se leva a sério.

  • Semana que vem vou colocar aquela prometida seção sobre cartazes no site. Gostei da comparação, inclusive tínhamos que destruir ciclicamente para podermos construir novos impérios lúdicos.


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