5 Fevereiro, 2007...10:01 pm

Deuses Contemporâneos

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Um dos fascínios sobre a mitologia clássica é que a diversidade dos deuses gregos e latinos parece cobrir os elementos básicos da experiência humana: da subsistência, como agricultura e caça, aos sentimentos e sensações, como amor e prazer. Se divagarmos sobre uma mitologia contemporânea, é provável que alguns deuses novos sejam criados e que alguns já existentes na Antigüidade tenham o seu status modificado. Aqui vão alguns desenvolvimentos:

Cronos, deus do tempo, é a entidade mais importante e mais temida. Hoje nada é mais inaceitável do que envelhecer. Sinais do tempo são tomados como sinais de falta moral e repudiados como algo escatológico. Por isso, todos querem agradar a Cronos e serem poupados de sua ação; muitos lhe fazem sacrifícios como exercícios intensos, modificações no rosto e imersões na lama. Entretanto, Cronos tem mesmo favorecido mesmo as celebridades americanas, que aparentemente não mudam mais. Os agraciados por Cronos também são aqueles raros mortais que conseguem fazer todas as suas atividades e obrigações no prazo originalmente previsto.

Eros. Se você não tem um desempenho sexual excelente e não o demonstra com freqüencia, a sua presença no universo contemporâneo é mais do que questionada. Mas Eros não é de todo inclemente, enviou aos mais idosos pedrinhas azuis mágicas . Assim eles podem continuar o culto a essa divindade.

Petros (ou Oleum). Deus que une atributos de Hermes (Mercúrio), ligado à mobilidade e viagens, e atributos de Ares (Marte), deus da guerra. Petros jura nos abandonar para sempre um dia.

Hélios, o deus solar, tem mostrado constantemente a sua ira lançando perigosos raios UV sobre os mortais. Estes agora precisam freqüentemente consultar um oráculo denominado dermatologista para saberem do seu futuro. Tensões entre Petros e Hélios vêm deixado Gaia, a deusa terra, cada dia mais febril e instável.

Mercado. Os humores do Mercado determinam o valor da soja e das Ferraris, podem fazer a riqueza de uma nação afluir ou sumir. Viver sob sua édige é duro e alguns povos já tentaram banir por completo o culto ao Mercado. Geralmente passam a idolatrar o seu chefe mortal e dele fazem grandes estátuas e murais. A crítica à figura do chefe torna-se então um tabu mortal. Também não se trata de uma experiência fácil, muitos desses povos voltaram a evocar o Mercado.

Por fim, Ironia. Muitos a veneram como um paliativo às tribulações da experiência humana, porém há quem considere que os seus seguidores tornaram-se numerosos e fanáticos demais. Esses devotos parecem perder sua sensibilidade: catástrofes, atos de religião, as discussões sobre a pólis, tudo o que acontece passa a ser interpretado pelas palavras concedidas por Ironia.

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