Hoje um novo blog parece tão necessário como uma nova banda emo ou uma nova dupla sertaneja. É fato comum com as tecnologias: há o frisson do ineditismo e por um tempo “o meio é a mensagem” de fato. Lembro de um período entre 1995 e 1996 quando ver a frase “you got a new mail” tinha um certo ar mágico. Mas o impacto se perde naturalmente, ainda mais com o surgimento do spam, vírus, lendas urbanas, piadas infames em lista, felicitações de ano novo em lista, manifestos aleatórios… As mensagens cuja leitura é importante e pessoal não são tão freqüentes assim.
Apesar da minha argumentação acima, na realidade eu não tive uma boa impressão inicial sobre os blogs. Eles pareciam ter muitos “atos linguísticos” ferozes, mas pouca comunicação que valesse a pena: 5 exclamações depois de uma frase não a faz mais importante, chamar alguém de idiota não o faz necessariamente idiota. Porém, com o tempo conheci blogs que estão hoje em minhas leituras constantes: Cinematógrafo, O Mal de Montano, Todoprosa, Ranchocarne, Conscious Entities, entre eles.
Passo a continuar aqui o trabalho iniciado no site Ângulo. O motivo é praticidade: as minhas atualizações poderão ser mais freqüentes, tentarei uma regularidade ao menos semanal. (Ainda acho o formato do site melhor para certos conteúdos e eu notificarei as atualizações dele aqui.) Através do blog será mais fácil ampliar os temas “contemplados”, incluindo fotografia, TV, pintura, ou seja, tudo o que permitirem a minha pretensão indômita, a minha auto-indulgência, e a minha necessidade de desferir atos lingüísticos arbitrários (como fiz no início sobre as bandas emo e duplas sertanejas !!!!!).
Sobre a imagem acima propriamente, ela foi colocada para me representar lançando mão das facilidades da publicação em blog, finalmente. A legenda apropriada (2001, Uma Odisséia no Espaço) é redundante, trata-se de uma das cenas mais reconhecíveis do cinema. O IMDB registra 82 filmes que incluem alguma paródia a 2001. Não são poucos os que pensam que a música de Richard Strauss, Also sprach Zarathustra de 1896, é um tema original para o filme – em termos práticos, acabou se tornando. Em uma citação a 2001 no filme Muito Além do Jardim, há uma cômica versão funk do tema, tocada quando o personagem de Peter Sellers se vê solto na cidade, depois de passar uma vida confinada em uma residência onde era o jardineiro. O problema com tanta familiaridade é que não conseguimos mais ver a seqüência original com o olhar limpo, parece que estamos vendo mais uma paródia. Um primata percebendo em um osso uma ferramenta: são imagens ousadas por dispensar longamente diálogos em um filme comercial? inovadoras pelo modo com que se integram com a música? Ou, para quem as vê agora, apenas engraçadas e referenciais? Voltarei a esse problema relacionado aos filmes clássicos mais tarde.





2 Comentários
3 Janeiro, 2007 às 10:41 pm
Grande Polli!
Acho que essa questão da paródia é inevitável e sua dúvida insolúvel. Quero dizer, eu estou inclinado a pensar que a paródia constante acaba corrempendo mesmo nossa leitura do original, mas torço muito para que isso não seja uma regra.
Sucesso ao novo blog!
20 Novembro, 2009 às 6:51 pm
ler todo o blog, muito bom