1 fevereiro, 2010

Hey You! Venha para o Projeto My Wall

Governo e ONGs anunciam o projeto MY WALL – casa própria.

Em pareceria com a a construtora Pink Floyd, o Governo Federal e ONGs de vários pontos do país anunciaram um projeto que vai levar o sonho da casa própria a milhares que tiveram os seus outros sonhos desfeitos. R.W., gerente da construtora, explica que o público-alvo é a população de baixa autoestima, são aqueles “tão ressentidos com a própria mãe, a escola e o sistema, que os culpam por todos os seus sofrimentos”. Ele continua explicando que são indivíduos que “se sentem traídos por namoradas(os) que não tiveram de fato”. “Eles tendem a construir muros em torno de si e vamos aproveitar esse potencial para erguer casas.”

16 janeiro, 2010

Enfim sapiens

11 janeiro, 2010

Spotless mind (2)

Oscar Wilde:

“Nada é mais bonito que esquecer, a não ser talvez ser esquecido.”



Portland Oregon, Then and now, upload feito originalmente por Tinflower.

11 janeiro, 2010

Fazendo amor com ivetes sangalos / fazendo amor com marisas montes

As ivetes sangalos gostam de preliminares, desde que sejam instantâneas. Disse eu apenas duas frases de efeito que rimavam em or: Ela tirou a minha e a própria roupa em uma velocidade assombrosa. Ritmo, tudo dependia do ritmo. Caímos na cama, ela virou para o meu lado rapidamente para um beijo, virou para o outro lado como se quisesse beijar outro. Eu estava me atrapalhando em achar e colocar o preservativo. “Ritmo, tudo depende do ritmo”, ela sentenciou quando recolocava a roupa em uma velocidade assombrosa. Voltou para o carnaval na rua.

Segui atrasado. A música tinha um ritmo forte e marcial, as letras eram fracas e melosas. Eu era a única pessoa que não sabia quais movimentos eram os adequados. A cantora mencionava partes do corpo no diminutivo, todos obedeciam às suas ordens. Não pensem em nazistas alegres, mas em nazistas da alegria. A felicidade sobrava, uma mulher virou para me beijar. Não era a mesma do hotel – ou era? Posso beijar uma ou outra, é uma massa indiferente de alegria momentânea e disponível, uma delas vem comigo para o hotel. As ivetes sangalos gostam de preliminares, desde que sejam instantâneas…

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As marisas montes precisam se sentir únicas. Uma igual exigência de exclusividade, uma mesma complexidade de símbolos. Eu não poderia falar qualquer coisa que não soasse como inventada especialmente para ela. Era já o terceiro dia do carnaval, mas ela não queria sair do hotel. Ela genuinamente adorava samba, mas passava algo frio quando cantava e dançava. Ela genuinamente adorava sexo… Já eram três dias só de preliminares – delicadas e perfeitas. Ela cantava para mim tocando o violão, cavaquinho, ukulele. Uma longa sedução multiinstrumental. “Harmonia, tudo depende de harmonia”. Quando finalmente vamos à cama, o celular dela toca. Um arnaldo antune precisa de ajuda urgente. É uma saída concreta.

5 janeiro, 2010

Humor de uma linha

Trechos de livros do Woody Allen, editora L&PM:

“JENNY: David, tente compreender: afora o sexo, foi algo platônico.”

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“FRED: A genialidade está nos cromossomas. Você sabia que o meu DNA brilha no escuro?”

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“A literatura inteira é uma nota ao pé-de-página de “Fausto”, mas não sei o que quero dizer com isso.”

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“Devo me casar com W.? Só se ela me disser as outras letras de seu nome.”

5 janeiro, 2010

Spotless mind

No Flickr, há um grupo para imagens que componham fotos antigas e recentes. Um usuário está fazendo uma pequena, mas ótima seleção.

Sitting on a bench now/then, upload feito originalmente por uwgb admissions.

31 dezembro, 2009

Uma prévia de 2010



Foto do usário Soviet do Flickr.

30 dezembro, 2009

Contos começados e felizmente não terminados

“Ela era stripper e ambientalista. Um manejo preciso das peças de roupa, lançava-as não muito longe, enquanto dizia algo sobre níveis de carbono…”

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“O universo era como um programa Saia Justa que nunca terminava…”

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“No segundo aniversário do namoro, acabou comigo em pleno restaurante, acabou com todos os relacionamentos. Depois que ela resolveu terminar, ninguém mais amou…”

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“Me rendeu na garagem. Arma perto da cabeça, mas sem encostar, frases quaisquer de efeito, era um assalto comum. Passamos para a sala, passamos pela estante de clássicos da economia socialista — eu não deveria ser poupado?”

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“Abriu o porta-malas e foi me dando trinta pacotes de metalinguagem. Pediu para que eu não os abrisse até o último capítulo…”

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“Amor intenso, de espremer espinhas…”

24 dezembro, 2009

Tradição

Quem desenhou essa capa de 1972 foi Haddon Sundblom, famoso por suas pinturas natalinas a óleo para a propaganda da Coca-Cola nos anos 30 e 60. (Tem gente que chega a dizer que a empresa inventou o Natal como conhecemos, mas deve ser um exagero. Mas quanto à parte da iconografia, isso é certo.).

22 dezembro, 2009

Borges bônus

“‘Este palácio é obra dos deuses’, pensei primeiramente. Explorei os inabitados recintos e corrigi: ‘Os deuses que o edificaram morreram’.”

[do conto O Imortal, trad. Flávio Cardozo]

“Acredito que o pesadelo tenha um sabor especial que não se parece com o horror que sentimos na vigília, e que poderia ser, bem, poderia ser uma prova de que o inferno existe, de que entrevemos algo, mais além de toda experiência humana.”

[Sobre os sonhos e outros diálogos, trad. John O'Kuinghttons]

22 dezembro, 2009

Sabedoria em filmes de grande orçamento

Você está assistindo a um blockbuster e de repente é surpreendido por uma fala profunda, de ressonância metafísica. (A pipoca parada na garganta — a condição humana revelada na sala escura). Isso já me aconteceu, por exemplo, assistindo a uma das sequências dos Piratas do Caribe. Quando vi Tróia, fique ressabiado com a seguinte fala do sábio Brad Pitt:

“– Os Deuses nos invejam. Eles nos invejam porque nós somos mortais, porque cada momento nosso pode ser o último. Tudo tem mais beleza por estarmos condenados. Você nunca será mais bela do que é agora. Nós nunca estaremos aqui de novo.”

Relendo o conto O Imortal, de Borges, descobri a razão:

“A morte (ou sua alusão) torna preciosos e patéticos os homens. Estes comovem por sua condição de fantasmas; cada ato que executam pode ser o último; não há rosto que não esteja por dissolver-se como o rosto de um sonho. Tudo, entre os mortais, tem o valor do irrecuperável e do inditoso. Entre os Imortais, ao contrário, cada ato (e cada pensamento) é o eco de outro que no passado o antecederam…”

[trad. Flávio Cardozo]