Leituras dos anos 60

Posted 8 Maio, 2008 by Marco Polli
Categories: Fotografia

McCain, Hillary, Obama.

Leitura Republicana: patriota e objetivo - hippie e sofista - infantil e sem experiência.

Leitura Democrata: beligerante e marionete da indústria bélica - à frente do seu tempo e inteligente - esperançoso e genuíno.

Cartazes de filmes italianos

Posted 8 Maio, 2008 by Marco Polli
Categories: Cartazes e Capas, Uncategorized

Tirados do Flickr

Literatura e Política

Posted 5 Maio, 2008 by Marco Polli
Categories: Uncategorized

O romance Junta-Cadávares (1964) de Juan Carlos Onetti teve duas edições no Brasil e elas foram apresentadas de modo bem diferente. Na edição mais antiga, de 1968 pela Civilização Brasileira, lê-se na orelha assinada por Franklin de Oliveira:

“[Onetti] é um desses escritores: potente, enérgico, viril. A sua ficção é um desafio e um protesto. Uma tomada de consciência. Nada da novela cor de rosa ou do romance descompromissado do costumbrismo. Romance-participação, fincado na terra, na cidade, nos bairros pobres, na gente alienada — tanto se pode ser reduzido à alienação pela miséria como também pela riqueza. Nas sociedades desiguais é assim — nas duas pontas da ordem social, a dos espoliados e a dos privilegiados, baila a alienação.”

“Um livro que se incorpora à nossa literatura, enriquecendo a experiência humana de nossos leitores, nesta transfusão de sangue cultural hispano-americano que a CIVILIZAÇÃO vem operando, no Brasil, através de Nossa América, em cuja coleção passa a se integrar este poderoso, forte, urgente romance. Que pede também leitura urgente.”

Já a edição da Planeta, de 2005, tem uma sinopse com outro tom:

“A história discorre sobre o ex-presidiário Larsen — personagem que também faz parte de outras obras do escritor –, apelidado de “Junta-Cadáveres” por colecionar casos com prostitutas pobres e decadentes. Larsen chega a cidade fictícia Santa María com o sonho de montar o “prostíbulo perfeito”. É claro que esse é um projeto predestinado ao fracasso, mas Onetti quer apontar exatamente para o malogro que existe em todo empreendimento humano.”

O livro ainda incluiu um prefácio de Francisco J. C. Dantas, que comenta:

“Onetti sempre priorizou o indivíduo em si mesmo, com o seu punhado de propósitos ilusórios, de misérias interiores, ancestrais, mostradas a varejo, sem nenhuma conotação de condicionamento social.”

“Nenhum [dos seus personagens] lembra o ‘bom mocinho’, nem tampouco o revolucionário com idéias pragmáticas a defender. Não apelam para soluções mirabolantes, não carpem as injustiças sofridas, nem mandam em coisíssima nenhuma. A maior parte deles são anti-heróis quase sempre inúteis, freqüentadores das mesas imundas dos bares. Mais metafísicos do que práticos, entre um copo e um cigarro, desperdiçam o tempo a espiar o mundo e dialogar consigo mesmos numa lucidez dilacerada.”

São trinta e sete anos que separam as duas edições e os textos acima não divergem apenas pelas leituras do romance, mas por idéias distintas sobre o papel da ficção. A contracapa do exemplar da Civilização Brasileira diz que a coleção Nossa América “deseja quebrar as muralhas do isolamento cultural e promover a soma de esperanças e de rebeldias do povo da América Latina”. Subjacente está a idéia de que a arte e particularmente escrever e ler ficção deveriam convergir (rapidamente) para um ponto programático comum. E é essa idéia de centro, ou direção clara, que ruiu por completo. A razão disso é bem conhecida: a infame e sempre culpada “série de fatores”. Mas cabe aqui sublinhar um deles: o próprio conteúdo literário. Se importantes obras de ficção acabam por problematizar, ironizar e ver de forma inusitada todo e qualquer aspecto da existência humana, porque haveria de ser diferente com a política? Onetti era de fato de esquerda, chegou a ser confinado em um hospício pelos militares uruguaios e viveu no exílio a partir de 1975. Porém romances como Junta-Cadáveres, A Vida Breve e O Estaleiro, apesar de lidarem com personagens socialmente disfuncionais, nunca se alinham a uma direção política simples.

Não há motivo para que a política não seja tratada pela ficção –- um caso recente de um escritor consagrado abordando o assunto é Philip Roth com seu Exit Ghost (LO+). Contudo, ela não merece ter um status privilegiado e ser protegida dos meandros pouco piedosos da ficção de qualidade.

Imposto de Renda e a dedução da melancolia

Posted 29 Abril, 2008 by Marco Polli
Categories: Crônicas / Comentários

– Em cidades pequenas, pagar o IR é um sinal de status. Comentam as contadoras em sluty style: “Nossa, ele ultrapassou o limite de isenção, muito charmoso, será que o casamento dele pode ser abalado?”. Porém, mais eficiente ainda é ser investigado por sonegação, o que empresta a aura dos marginais perigosos ou dos santos que foram entregues aos leões.

– É uma desonra a toda família Felidae que usem o leão como símbolo do IR. Uma injustiça à elegância felina. Para a troca, alguns contribuintes confusos com as regras sugerem a imagem da Esfinge. Eu penso que nenhum ser real ou já imaginado seja capaz de representar o poder invasivo e inescapável do IR. O leão mesmo pode ser extinto um dia, mas nunca o imposto. É necessário imaginar uma besta específica, nova, um pesadelo ciber-bio-tecnológico-magnético que, ao fim, só poderia se chamar IR. Uma realidade tão forte dispensa símbolos.

– Recolher o IR é confirmar a grande paranóia, validar a mais inverossímil das teorias de conspiração. Se você entrega 25% da sua renda ao governo, recolhe ainda alguns impostos na fonte, e usa o restante do dinheiro para comprar produtos e serviços que embutem impostos e taxas em cascata de até 50%, a verdade clara é que somos apenas servos humildes do Grande Sistema. Temos a ilusão de sermos espertos, às vezes criativos, de que nos divertimos vendo aquela série engraçadinha na TV, mas somos na verdade peças simples da Máquina.

– Há uma grande entrega de intimidade quando você declara as suas fontes de pagamento, as suas despesas médicas dedutíveis. Preenchendo os formulários do IR, é fácil se sentir como uma adolescente revelando tudo em seu diário, mas sem o recurso do código secreto. “Querido Leão, este ano ganhei menos do que no ano passado.

– Se a entrega da declaração fosse em dezembro, ela serviria como uma retrospectiva pessoal do ano. Falta muito pouco para que os 12 meses estejam resumidos e avaliados ali por completo. Poderiam incluir as fontes de prazer e os lances de sorte, deduzir os dependentes emocionais e os dias ruins, que, óbvio, não podiam em render em nada mesmo. Se no balanço final, você ainda tiver imposto a recolher, aí sim justificaria declarar alto e com orgulho: “passei do limite mínimo, passei do limite mínimo!”.

O retrato de um criminoso

Posted 28 Abril, 2008 by Marco Polli
Categories: Uncategorized

(Por Fernando Botero, quem mais?)

Livre Mercado

Posted 23 Abril, 2008 by Marco Polli
Categories: Mililitros de Sabedoria

De Oscar Wilde:

“A vida cobra caro demais pelas suas mercadorias, e acabamos comprando o mais mesquinho dos seus segredos por um preço monstruoso e infinito.”

—-

Para descontrair, do mesmo:

“Gosto dos homens com um futuro e das mulheres com um passado.”

[Aforismos, trad. Mario Fondelli]

Amnésia, versão Vaticano

Posted 23 Abril, 2008 by Marco Polli
Categories: Mágica no Absurdo

Literatura de alcova

Posted 18 Abril, 2008 by Marco Polli
Categories: Leituras

Uma passagem típica em um romance é quando o protagonista fica só em um quarto e o texto se torna mais subjetivo, misturando as impressões dos sons e da luz lá fora com o estado de espírito do personagem. Se houvesse exames para ser autor, descrever uma cena desse tipo seria um dos itens obrigatórios. Sobre o tema, um “livro-texto” seria Em Busca do Tempo Perdido, que desde o início inclui várias passagens assim, memoráveis. (Pode-se dizer até que Proust transplantou a “abordagem impressionista do quarto de dormir” para falar de sua vida toda). Outro livro a ser citado é A Vida Breve, de Juan Onetti. Um dos vários trechos:

“Tirei a roupa, e até o começo da noite fiquei passeando no quarto quente, convencendo-me de que escolhera aquele mês, aquela semana, aquele dia porque então o verão, negando-se a morrer, elevava consigo (…) homens e coisas; convencendo-me de que o calor podia ser sentido pelo olhar e que se partia em cores nas paredes e ao redor de meu corpo em movimento, dividia-se em franjas que se cruzavam sem misturar-se, de amarelos e ocres, de verdes escuros porém frescos, o verde do gramado na sombra da tarde.
Atrás da parede, o silêncio; o homem já tinha ido embora.”

[trad. de Josely Vianna Baptista, Planeta]

As máquinas conscientes

Posted 18 Abril, 2008 by Marco Polli
Categories: Leituras


[Cena de Blade Runner]

Do filósofo John Searle em The Mystery of Consciousness:

“O cérebro é uma máquina. É uma máquina consciente. O cérebro é uma máquina biológica tanto quanto o coração ou o fígado. Então é claro que algumas máquinas podem pensar e ter consciência. O seu cérebro e o meu, por exemplo.”